Por esses dias uma amiga minha completaria mais um ano de vida, mas não completou, pois mês passado fez um ano que ela morreu. Morte repentina ... uma doença e em pouco mais de um mês ela se foi. A poucos anos atrás também perdi um tio e um primo (o primeiro também por doença e o segundo em um acidente de trânsito).
Diferentemente de minha amiga, com a qual eu conversava todos os dias meu tio e meu primo eu demorava a ver ou falar, mas me pesou fortemente suas mortes. A pouco mais de uma semana, estava conversando e rindo com um amigo e no dia seguinte sua mãe faleceu ... quantos parentes e amigos temos perdido ao longo de nossas vidas?
Alguns se vão repentinamente e para isso não estamos preparados, mas se por acaso nos preparamos, nem por isso dói menos. Não importa a classe social, a idade, a raça, todos sofremos com a perda através da morte e isso é natural pois não fomos feitos para morrer e geneticamente e espiritualmente não entendemos a morte, mas convivemos com ela todos os dias e vamos encará-la um dia.
Enquanto isso, vamos nos lembrando das boas coisas que aqueles que se foram deixaram para nós, seja aquele carrinho que seu tio lhe deu quando você era criança e você só viu no outro dia pois ele chegou de madrugada e se foi muito cedo (trabalhando em caminhão nem sempre ele tinha muito tempo para lhe visitar); seja a lembrança das brincadeiras com seu primo na casa de seus tios; ou ainda as conversas com sua amiga que lhe convidava para ir em sua casa experimentar a sopa que ela fazia e você sempre adiando e findando não comendo a sopa pois a morte não esperou você arranjar tempo.
Essas coisas boas ficam e inundam nosso pensamento sempre que queremos nos entristecer com as perdas. Que bom que tivemos o privilégio de conviver com essas pessoas e amá-las mesmo que não tenhamos gritado isso para todos ouvirem, nós dissemos isso em gestos, em palavras, em atitudes e continuamos a dizer isso em nossas memórias.
"Dedicado a Tio Nelzinho, ao primo Douglas, a amiga Rosinha, a Gecina mãe do amigo Deni e a tantos outros parentes e amigos, mais próximos ou mais distantes que perdemos ao longo de nossas breves vidas."
Ibnéias Costa da Silva