“Como pastor presbiteriano, Joel teve que passar por um seminário específico, mas nos moldes dos que os padres católicos frequentam. Segundo as últimas estatísticas da Igreja Presbiteriana do Brasil, em 2003, havia 3.162 pastores para 2.304 igrejas, um cenário tão difícil quanto o mercado de trabalho no Brasil. O "processo de seleção" é mais difícil do que em muita multinacional com seus programas de trainee. Se algum membro da igreja presbiteriana tem a intenção de ser pastor, ele deve comunicar a intenção ao Conselho (grupo de pastores e presbíteros que administram uma igreja) e, durante três anos, é acompanhado, observado e avaliado por esse grupo. Caso seja aprovado, é encaminhado ao Presbitério (reunião de pastores de uma região e seu respectivo presbítero) para nova avaliação.
Daí passa por exames médicos e psicológicos antes de ser encaminhado ao seminário. Lá, ele aprende grego e hebraico - línguas em que foram escritos, respectivamente, Novo e Velho Testamento -, estuda História, Filosofia e Teologia. Depois de quatro anos, adivinha? Não, ele ainda não é pastor. Como bacharel em Teologia, ele deve apresentar uma tese sobre um ponto teológico e uma exegese, um trabalho de análise de uma passagem da Bíblia, na língua original em que foi escrita. Depois disso, o bacharel torna-se licenciado.
Segundo o Reverendo Ageu Cirilo de Magalhães Júnior, diretor do Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição [JMC], o processo de licenciatura pode durar até dois anos. "Neste período, o licenciado é encaminhado a um trabalho prático que será muito parecido com o pastorado em si. Nestes dois anos ele será observado no campo de atuação para que o Presbitério averigue se ele pode ser pastor mesmo. Ao final deste período ele retorna ao Presbitério", conta o Rev. Ageu. Só após a licenciatura, pode-se marcar a data da ordenação, ou seja, o dia em que torna-se pastor. “
Esse é o processo (segundo matéria do site Yahoo) para que um presbiteriano chegue a ocupar o posto de Pastor. Bem diferente do que se costuma ver na maioria das denominações pentecostais o que poderia muito bem explicar o despreparo de muitos “pastores” por aí e o aumento de aversão aos evangélicos entre os que não professam o cristianismo e até mesmo dentro das igrejas. Na matéria é exposto à forma de se chegar ao pastorado em uma igreja neo-pentecostal (a renascer) e trata de outros temas ligados a cargos em igrejas (como padre, bispo, apóstolo, diácono, presbítero). Vale a pena ler.
O texto é longo, mais muito interessante. Algo em que penso a muito tempo e que alguém resolveu colocar no papel (ou na tela) e gostaria de dividir com os leitores.
“É possível reconhecer um filho de pastor no momento exato em que ele nasce. Basta ir à maternidade e reparar na multidão de senhoras da SAF olhando pela vitrine ou dando um monte de babador que elas mesmas bordaram. A esposa do pastor, obviamente, tem que se mostrar super disposta em recebê-las e com aquele sorriso, para não ficar uma situação desagradável. Mas acaba sendo um momento gostoso, pois se percebe o amor da igreja pelo pastor e sua família.
No domingo após o nascimento de seu filho, o pastor e sua mulher têm certeza que ao entrarem no portão da igreja, aquele monte de mulheres, de todas as idades irá avançar em cima do bebê, só para ver como ele é ou está. E o pastor sabe também que se ele não for firme, ele não vai chegar nunca ao púlpito para começar o culto. Na hora do culto, quem está no banco da frente ou de trás da esposa do pastor, não para de se oferecer para segurar o bebê.
Não importa para quantas igrejas o pastor se mude, para quantas igrejas o pastor é convidado a pregar, sempre haverá mulheres inteiramente dispostas a segurar e cuidar de seu filho, como se ele fosse delas.Quando o filho do pastor começa a crescer, ao mesmo tempo começa a indicar como será a reputação do próprio pai. Bem, de duas uma: ou vai ser aquele filho de pastor exemplar, que sabe a Bíblia tanto quanto o pai e que é um líder da UCP, depois UPA e ainda mais UMP ou vai ser aquele que o pai tem que pedir pros diáconos irem procurá-lo porque ele sumiu antes mesmo do culto ter começado, aquele que o pai tem que interromper a pregação para chamar sua atenção e pedir desculpas aos irmãos da igreja, aquele menino que envergonha os presbíteros e que os faz se perguntar como pode existir um filho de pastor assim.
A saúde da vida ministerial do pastor depende muito de como será o perfil, a personalidade, o caráter, a índole de seu filho. E a saúde física e emocional dele também está em jogo. Até porque quem vai correr pelo pátio da igreja atrás do menino é ele. E quem vai ouvir as reclamações dos diáconos e presbíteros também é ele.
A questão é: e o fdp, o que sente? Qual é o peso dessa responsabilidade de ser O filho do pastor? Isso ajuda ou atrapalha a vida dele?
Geralmente filho de pastor é bem sociável ou pelo menos cumprimenta todo mundo. Não que ele goste de todo mundo, mas tem que aparentar que sim, afinal ele é o filho do pastor.Quando o filho do pastor é muito tímido, é muito provável que as pessoas cheguem a ele. Por quê? Parece que todos querem saber como ele é, como se sente, e até mesmo o que acha da igreja. Se ele não vai a eles, eles vão a ele. É mais ou menos assim.
Algo realmente muito chato é que nas aulas da escola dominical ou em qualquer gincana bíblica, quando o professor faz a pergunta e ninguém sabe, todos os olhos caem sobre o fdp como se ele tivesse a obrigação de saber a Bíblia, só porque é filho de pastor. Ah, e geralmente ele é chamado para orar em todas as aulas. Pode ser apenas uma impressão, mas parece que o professor da escola bíblica também espera mais do pastorzinho. Tanto em comportamento quanto em conhecimento.
Saindo um pouco do domingo, durante a semana, todo bom pastor fica na igreja para estudar ou para conversar com irmãos que com certeza sempre aparecem por lá. E quem ele leva junto? O seu tão bem falado filho. A igreja vazia, aquele silêncio, um sol de torrar, o pai concentrado no escritório e o fdp sem saber o que fazer. Poxa, assim também fica difícil. Ou ele mexe nas coisas do templo ou fica parado sem fazer nada.
Quando o fdp se torna adolescente, parece que as cobranças mudam e aumentam relativamente. A partir daí ele tem que mudar de postura, ser mais responsável e de certa forma ser um exemplo aos outros adolescentes. Filho adolescente de pastor é uma criatura complicada. Ele sabe o peso que tem nas costas e ao mesmo tempo parece que ele não quer assumir esse peso propositalmente. Ele sabe que é obrigado a ter uma posição que influencie os outros para o bem. Por isso geralmente filho de pastor aparenta ser rebelde. É uma forma de autodefesa, uma demonstração de que ele não tem o dever de assumir o cargo. Isso é fato. E ele faz questão de mostrar isso primeiramente ao pai, o pastor da igreja. De certa forma, ser filho de pastor é uma responsabilidade injusta, pois ele já nasce com uma cobrança formada, sem ter culpa de nada. Muitos imaginam que por ser o filho do pastor, ele tem que ser ou aparentar um santo. Mas acaba acontecendo o contrário.
E os problemas não ocorrem somente na igreja, mas intensamente na casa do pastor, que cobra do filho um comportamento exemplar. O pastor, na verdade se encontra numa linha bem dividida: o lado do filho, que ele bem entende, mas não aceita, e o lado da igreja, que ele tem que aceitar. A questão é que a igreja não enxerga nem o lado do pastor, nem muito menos o de seu filho. Eles querem ver tudo certo, tudo pronto e bonito, embora sempre haja algo para reclamar.
O lado bom da estória é que a maioria dos filhos de pastor consegue lidar com isso, então acabam cooperando para o bem da igreja e do próximo. Mas claro, sempre com uma pitada de cobrança e olhares feios quando erram em algum momento. É bom ser chamado para participar de todas ou quase todas as peças teatrais da igreja, organizar eventos aos sábados para as crianças, apoiar na organização dos acampamentos e muitas vezes ser popular mesmo sem ter feito nada para merecer.
O que também é muito bom é que praticamente em todos os domingos a família inteira do pastor é convidada para almoçar na casa de um irmão ou irmã da igreja. Após o culto da manhã eles sabem que vai ter comida diferente na casa em que foram convidados. E passam a tarde lá. Enquanto os pais conversam com os donos da casa (os homens sobre teologia e as mulheres sobre o passado, experiências como mães e casos engraçados do dia-a-dia), os filhos dos dois lados brincam, conversam e fazem aquela bagunça na rua. No final sempre sai alguém chorando. No final da tarde todos se preparam para voltar ao culto da noite. E o filho do pastor sabe que ele será um dos últimos a ir embora, o que o deixa feliz, já que vai poder ficar brincando até mais tarde no pátio da igreja.
Ser o filho do pastor não é uma brincadeira, nem um detalhe qualquer. Se exige maturidade e ás vezes ser o que não se é ou o que não se quer ser. Mas ao mesmo tempo traz crescimento e boas lembranças no futuro para aqueles que souberam lidar com isso. Sinceramente, creio que é mais difícil para o pastor ser pai do filho do pastor do que para o próprio filho do pastor ser filho do pastor. Por quê? Pergunta pro seu pai.”
Consigo me enxergar na maioria das situações expostas acima. Realmente não é fácil ser um FDP, afinal nem mesmo o suborno (bajulação excessiva que recebemos em muitos casos) compensa a cobrança brutal (filho de pastor tem que ser mais “santo” do que o pastor, já que não tem o mesmo poder que esse para se defender em seus erros).
Antonio Paulino da Silva é mossoroense, pastor evangélico, formado pelo Seminário Teológico da Igreja de Cristo no Brasil e membro da denominação evangélica Igreja de Cristo no Brasil, tendo sido responsável por algumas igrejas na região oeste do RN, tendo exercido esse pastorado por mais de 20 anos. Conhecido por evangélicos e não evangélicos dessa região do estado como bom cantor e pregador, não pastoreia nenhuma igreja atualmente, mas continua cantando e pregando e nessa entrevista nos fala sobre assuntos ligados ao meio evangélico e religioso em geral.
ELEUTHERIUS - COMO VOCÊ SE DEFINIRIA (PESSOAL E PROFISSIONALMENTE)?
Pr. Antonio Paulino - um cidadão simples sem ambições na vida, que se acostumou a viver com pouco, que pauta a sua vida no respeito ao próximo e na amizade sincera.Profissionalmente fiz de tudo um pouco, exerci função pastoral remunerada por mais de 20 anos, porém não me dediquei especificamente a uma profissão.
ELEUTHERIUS - POR QUÊ VOCÊ É EVANGÉLICO E POR QUÊ DECIDIU SER PASTOR?
Pr. Antonio Paulino - Todo homem precisa ter fé e isto eu tenho; entendo também que o evangelho é a verdade fundamental para quem quer se firmar no conhecimento de Cristo e de Deus. Como evangélico me senti convocado e intimado a estender essas boas novas (evangelho) a outras pessoas através do sacerdócio pastoral.
ELEUTHERIUS - HOJE EM DIA SE FALA MUITO EM ECUMENISMO, É REALMENTE POSSÍVEL QUE AS MUITAS RELIGIÕES/GRUPOS QUE SE DIZEM CRISTÃOS CAMINHEM JUNTOS?
Pr. Antonio Paulino - Sim e não, ou seja, no que diz respeito a celebração em manifestações públicas até é possível, mas quando se trata de administrações internas e ensino doutrinário, não vejo possibilidade, porque há muita divergência de opiniões na interpretação do termo cristão.
ELEUTHERIUS - DIFERENTEMENETE DE ANTES, ONDE SER “CRENTE” ERA GARANTIA DE ALGUÉM SER VISTO COMO BOM CARÁTER, HOJE EM DIA, DEVIDO A MUITOS ESCÂNDALOS, EVANGÉLICOS E PRINCIPALMENTE PASTORES SÃO VISTOS COMO PESSOAS QUE SÓ PENSAM EM DINHEIRO E QUE ENGANAM AS PESSOAS DE BOA FÉ.COMO MUDAR ESSE QUADRO?
Pr. Antonio Paulino - Não sei se pode mudar, porém não me arriscaria a dar uma idéia, visto que cultivar a fé deve ser uma procura do bem estar espiritual da alma e como resultado bom, ter uma convivência pacífica com o semelhante aqui na terra. Ao contrário do que fazem alguns grupos chamados cristãos, que mercantilizam a palavra de Deus, com a já ultrapassada filosofia de 100% prosperidade e vida plena sem sofrimento agora. Tem como mudar?
ELEUTHERIUS - NA SUA OPINIÃO, QUAL A CONTRIBUIÇÃO DOS EVANGÉLICOS PARA A SOCIEDADE?
Pr. Antonio Paulino - Eu não posso qualificar precisamente o grau de contribuição porque o termo é muito abrangente e nem todos fazem jus ao nome[evangélico], porém alguns podem ser exemplo de vida a ser seguido pela sociedade, participando na educação religiosa, participando efetivamente na restauração de vidas destruídas pelo mal e finalmente, viver acima de tudo a honestidade, respeito e verdade; fazendo assim, pode ser visto como contribuição.
ELEUTHERIUS - RECOMENDE UM LIVRO, UM FILME E UM CANTOR/BANDA:
Pr. Antonio Paulino:
Livro: Paz com Deus (Billy Graham);
Filme: não recomendo pois não aprecio filmes sobre ou com tendência religiosa; Cantor: Vitorino Silva e Banda: grupo logos.