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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Como se tornar um pastor (o caminho em uma igreja tradicional)

“Como pastor presbiteriano, Joel teve que passar por um seminário específico, mas nos moldes dos que os padres católicos frequentam. Segundo as últimas estatísticas da Igreja Presbiteriana do Brasil, em 2003, havia 3.162 pastores para 2.304 igrejas, um cenário tão difícil quanto o mercado de trabalho no Brasil. O "processo de seleção" é mais difícil do que em muita multinacional com seus programas de trainee. Se algum membro da igreja presbiteriana tem a intenção de ser pastor, ele deve comunicar a intenção ao Conselho (grupo de pastores e presbíteros que administram uma igreja) e, durante três anos, é acompanhado, observado e avaliado por esse grupo. Caso seja aprovado, é encaminhado ao Presbitério (reunião de pastores de uma região e seu respectivo presbítero) para nova avaliação.

Daí passa por exames médicos e psicológicos antes de ser encaminhado ao seminário. Lá, ele aprende grego e hebraico - línguas em que foram escritos, respectivamente, Novo e Velho Testamento -, estuda História, Filosofia e Teologia. Depois de quatro anos, adivinha? Não, ele ainda não é pastor. Como bacharel em Teologia, ele deve apresentar uma tese sobre um ponto teológico e uma exegese, um trabalho de análise de uma passagem da Bíblia, na língua original em que foi escrita. Depois disso, o bacharel torna-se licenciado.

Segundo o Reverendo Ageu Cirilo de Magalhães Júnior, diretor do Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição [JMC], o processo de licenciatura pode durar até dois anos. "Neste período, o licenciado é encaminhado a um trabalho prático que será muito parecido com o pastorado em si. Nestes dois anos ele será observado no campo de atuação para que o Presbitério averigue se ele pode ser pastor mesmo. Ao final deste período ele retorna ao Presbitério", conta o Rev. Ageu. Só após a licenciatura, pode-se marcar a data da ordenação, ou seja, o dia em que torna-se pastor. “

Esse é o processo (segundo matéria do site Yahoo) para que um presbiteriano chegue a ocupar o posto de Pastor. Bem diferente do que se costuma ver na maioria das denominações pentecostais o que poderia muito bem explicar o despreparo de muitos “pastores” por aí e o aumento de aversão aos evangélicos entre os que não professam o cristianismo e até mesmo dentro das igrejas. Na matéria é exposto à forma de se chegar ao pastorado em uma igreja neo-pentecostal (a renascer) e trata de outros temas ligados a cargos em igrejas (como padre, bispo, apóstolo, diácono, presbítero). Vale a pena ler.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cartilhas para vereadores e eleitores

Cartilha O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Públicos Municipais


“A publicação fornece orientações básicas sobre o papel dos vereadores na fiscalização da aplicação dos recursos públicos nos municípios. O objetivo é compartilhar o conhecimento técnico da CGU sobre o controle da gestão pública e, assim, contribuir para o aprimoramento da atuação do Poder Legislativo municipal. O vereador tem papel fundamental para o controle da gestão dos recursos públicos.”


Cartilha Olho Vivo - Controle Social


“Com esta cartilha, a CGU quer contribuir para a formação de uma nova cultura política, fundada na democracia participativa, em que cada cidadão, individualmente, ou reunido em associações civis, é convidado a exercer o seu papel de sujeito no planejamento, gestão e controle das políticas públicas. Com esse material, o cidadão terá a oportunidade de aprender como se organiza politicamente o Estado brasileiro, terá explicações sobre a fundamentação jurídica que garante a cada um de nós o direito de exercer o controle social e receberá orientações de como se organizar e participar efetivamente.”


Em tempos onde a maioria das pessoas criticam seus representantes na câmara de vereadores (e muitos dos nobres edis merecem as tais críticas), mas ao mesmo tempo não conhecem seus direitos e nem exercem controle sobre seus representantes, fica aqui a dica dessas duas cartilhas: a primeira para os vereadores e a segunda para os eleitores.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O amor na memória

Por esses dias uma amiga minha completaria mais um ano de vida, mas não completou, pois mês passado fez um ano que ela morreu. Morte repentina ... uma doença e em pouco mais de um mês ela se foi. A poucos anos atrás também perdi um tio e um primo (o primeiro também por doença e o segundo em um acidente de trânsito).

Diferentemente de minha amiga, com a qual eu conversava todos os dias meu tio e meu primo eu demorava a ver ou falar, mas me pesou fortemente suas mortes. A pouco mais de uma semana, estava conversando e rindo com um amigo e no dia seguinte sua mãe faleceu ... quantos parentes e amigos temos perdido ao longo de nossas vidas?

Alguns se vão repentinamente e para isso não estamos preparados, mas se por acaso nos preparamos, nem por isso dói menos. Não importa a classe social, a idade, a raça, todos sofremos com a perda através da morte e isso é natural pois não fomos feitos para morrer e geneticamente e espiritualmente não entendemos a morte, mas convivemos com ela todos os dias e vamos encará-la um dia.

Enquanto isso, vamos nos lembrando das boas coisas que aqueles que se foram deixaram para nós, seja aquele carrinho que seu tio lhe deu quando você era criança e você só viu no outro dia pois ele chegou de madrugada e se foi muito cedo (trabalhando em caminhão nem sempre ele tinha muito tempo para lhe visitar); seja a lembrança das brincadeiras com seu primo na casa de seus tios; ou ainda as conversas com sua amiga que lhe convidava para ir em sua casa experimentar a sopa que ela fazia e você sempre adiando e findando não comendo a sopa pois a morte não esperou você arranjar tempo.

Essas coisas boas ficam e inundam nosso pensamento sempre que queremos nos entristecer com as perdas. Que bom que tivemos o privilégio de conviver com essas pessoas e amá-las mesmo que não tenhamos gritado isso para todos ouvirem, nós dissemos isso em gestos, em palavras, em atitudes e continuamos a dizer isso em nossas memórias.


"Dedicado a Tio Nelzinho, ao primo Douglas, a amiga Rosinha, a Gecina mãe do amigo Deni e a tantos outros parentes e amigos, mais próximos ou mais distantes que perdemos ao longo de nossas breves vidas."

Ibnéias Costa da Silva


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Eu sou um "fdp"

O texto é longo, mais muito interessante. Algo em que penso a muito tempo e que alguém resolveu colocar no papel (ou na tela) e gostaria de dividir com os leitores.


“É possível reconhecer um filho de pastor no momento exato em que ele nasce. Basta ir à maternidade e reparar na multidão de senhoras da SAF olhando pela vitrine ou dando um monte de babador que elas mesmas bordaram. A esposa do pastor, obviamente, tem que se mostrar super disposta em recebê-las e com aquele sorriso, para não ficar uma situação desagradável. Mas acaba sendo um momento gostoso, pois se percebe o amor da igreja pelo pastor e sua família.


No domingo após o nascimento de seu filho, o pastor e sua mulher têm certeza que ao entrarem no portão da igreja, aquele monte de mulheres, de todas as idades irá avançar em cima do bebê, só para ver como ele é ou está. E o pastor sabe também que se ele não for firme, ele não vai chegar nunca ao púlpito para começar o culto. Na hora do culto, quem está no banco da frente ou de trás da esposa do pastor, não para de se oferecer para segurar o bebê.


Não importa para quantas igrejas o pastor se mude, para quantas igrejas o pastor é convidado a pregar, sempre haverá mulheres inteiramente dispostas a segurar e cuidar de seu filho, como se ele fosse delas.Quando o filho do pastor começa a crescer, ao mesmo tempo começa a indicar como será a reputação do próprio pai. Bem, de duas uma: ou vai ser aquele filho de pastor exemplar, que sabe a Bíblia tanto quanto o pai e que é um líder da UCP, depois UPA e ainda mais UMP ou vai ser aquele que o pai tem que pedir pros diáconos irem procurá-lo porque ele sumiu antes mesmo do culto ter começado, aquele que o pai tem que interromper a pregação para chamar sua atenção e pedir desculpas aos irmãos da igreja, aquele menino que envergonha os presbíteros e que os faz se perguntar como pode existir um filho de pastor assim.


A saúde da vida ministerial do pastor depende muito de como será o perfil, a personalidade, o caráter, a índole de seu filho. E a saúde física e emocional dele também está em jogo. Até porque quem vai correr pelo pátio da igreja atrás do menino é ele. E quem vai ouvir as reclamações dos diáconos e presbíteros também é ele.


A questão é: e o fdp, o que sente? Qual é o peso dessa responsabilidade de ser O filho do pastor? Isso ajuda ou atrapalha a vida dele?


Geralmente filho de pastor é bem sociável ou pelo menos cumprimenta todo mundo. Não que ele goste de todo mundo, mas tem que aparentar que sim, afinal ele é o filho do pastor.Quando o filho do pastor é muito tímido, é muito provável que as pessoas cheguem a ele. Por quê? Parece que todos querem saber como ele é, como se sente, e até mesmo o que acha da igreja. Se ele não vai a eles, eles vão a ele. É mais ou menos assim.


Algo realmente muito chato é que nas aulas da escola dominical ou em qualquer gincana bíblica, quando o professor faz a pergunta e ninguém sabe, todos os olhos caem sobre o fdp como se ele tivesse a obrigação de saber a Bíblia, só porque é filho de pastor. Ah, e geralmente ele é chamado para orar em todas as aulas. Pode ser apenas uma impressão, mas parece que o professor da escola bíblica também espera mais do pastorzinho. Tanto em comportamento quanto em conhecimento.


Saindo um pouco do domingo, durante a semana, todo bom pastor fica na igreja para estudar ou para conversar com irmãos que com certeza sempre aparecem por lá. E quem ele leva junto? O seu tão bem falado filho. A igreja vazia, aquele silêncio, um sol de torrar, o pai concentrado no escritório e o fdp sem saber o que fazer. Poxa, assim também fica difícil. Ou ele mexe nas coisas do templo ou fica parado sem fazer nada.


Quando o fdp se torna adolescente, parece que as cobranças mudam e aumentam relativamente. A partir daí ele tem que mudar de postura, ser mais responsável e de certa forma ser um exemplo aos outros adolescentes. Filho adolescente de pastor é uma criatura complicada. Ele sabe o peso que tem nas costas e ao mesmo tempo parece que ele não quer assumir esse peso propositalmente. Ele sabe que é obrigado a ter uma posição que influencie os outros para o bem. Por isso geralmente filho de pastor aparenta ser rebelde. É uma forma de autodefesa, uma demonstração de que ele não tem o dever de assumir o cargo. Isso é fato. E ele faz questão de mostrar isso primeiramente ao pai, o pastor da igreja. De certa forma, ser filho de pastor é uma responsabilidade injusta, pois ele já nasce com uma cobrança formada, sem ter culpa de nada. Muitos imaginam que por ser o filho do pastor, ele tem que ser ou aparentar um santo. Mas acaba acontecendo o contrário.


E os problemas não ocorrem somente na igreja, mas intensamente na casa do pastor, que cobra do filho um comportamento exemplar. O pastor, na verdade se encontra numa linha bem dividida: o lado do filho, que ele bem entende, mas não aceita, e o lado da igreja, que ele tem que aceitar. A questão é que a igreja não enxerga nem o lado do pastor, nem muito menos o de seu filho. Eles querem ver tudo certo, tudo pronto e bonito, embora sempre haja algo para reclamar.


O lado bom da estória é que a maioria dos filhos de pastor consegue lidar com isso, então acabam cooperando para o bem da igreja e do próximo. Mas claro, sempre com uma pitada de cobrança e olhares feios quando erram em algum momento. É bom ser chamado para participar de todas ou quase todas as peças teatrais da igreja, organizar eventos aos sábados para as crianças, apoiar na organização dos acampamentos e muitas vezes ser popular mesmo sem ter feito nada para merecer.


O que também é muito bom é que praticamente em todos os domingos a família inteira do pastor é convidada para almoçar na casa de um irmão ou irmã da igreja. Após o culto da manhã eles sabem que vai ter comida diferente na casa em que foram convidados. E passam a tarde lá. Enquanto os pais conversam com os donos da casa (os homens sobre teologia e as mulheres sobre o passado, experiências como mães e casos engraçados do dia-a-dia), os filhos dos dois lados brincam, conversam e fazem aquela bagunça na rua. No final sempre sai alguém chorando. No final da tarde todos se preparam para voltar ao culto da noite. E o filho do pastor sabe que ele será um dos últimos a ir embora, o que o deixa feliz, já que vai poder ficar brincando até mais tarde no pátio da igreja.


Ser o filho do pastor não é uma brincadeira, nem um detalhe qualquer. Se exige maturidade e ás vezes ser o que não se é ou o que não se quer ser. Mas ao mesmo tempo traz crescimento e boas lembranças no futuro para aqueles que souberam lidar com isso. Sinceramente, creio que é mais difícil para o pastor ser pai do filho do pastor do que para o próprio filho do pastor ser filho do pastor. Por quê? Pergunta pro seu pai.”


Texto do site OBS. TETRAS lido originalmente no PAVABLOG


Consigo me enxergar na maioria das situações expostas acima. Realmente não é fácil ser um FDP, afinal nem mesmo o suborno (bajulação excessiva que recebemos em muitos casos) compensa a cobrança brutal (filho de pastor tem que ser mais “santo” do que o pastor, já que não tem o mesmo poder que esse para se defender em seus erros).