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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Por que sou cristão, protestante, evangélico e anglicano?

“Pois é, os bizantinos discutiram quantos anjos podiam dançar na ponta de uma agulha, aconteceu as cruzadas, veio a inquisição, transformaram Maria em medianeira e os santos em intermediários, venderam relíquias e indulgências, negociaram cargos eclesiásticos, exterminaram indígenas e promoveram guerras de religião. Tudo em nome do Cristo. Eu tinha muitas razões para não ser cristão.


Mas, o Messias encarnou da Virgem, derramou seu sangue na Cruz, Ressuscitou, e, um dia, veio ao meu encontro cheio de Graça. A pecaminosidade do povo que se chama pelo seu nome apenas reforça a necessidade do seu perdão. Por isso – e apesar de tudo e de todos (inclusive de mim) – sou um cristão, graças a Deus.


Lutero chamou os camponeses revoltados de cães, e apoiou o seu massacre pela aristocracia alemã, e seus comentários sobre os judeus era evidentemente anti-semita. Calvino consentiu com a morte de Miguel de Serveto. Os Protestantes guerrearam contra a Igreja de Roma e entre si. Depois veio a negação de tudo com o Liberalismo e o esfacelamento de tudo com o Denominacionalismo. Tudo em nome da Reforma. Eu tinha muitas razões para não ser protestante.


Mas, como negar que as Sagradas Escrituras são o critério último de verdade?
Como negar que somos salvos pela Graça mediante a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo? A pecaminosidade do povo que se chama protestante apenas reforça a necessidade de nos rendermos à Graça. Por isso – e apesar de tudo e de todos (inclusive de mim) – sou um protestante, graças a Deus.


Empacotaram o Evangelho na roupagem cultural anglo-saxã. Empacotaram as nativas do Havaí com os pesados roupões vitorianos, matando-as de varíola, tomando as suas terras e a sua independência nacional. Queimaram na fogueira as feiticeiras de Salém. Apoiaram reacionários e ditadores; se alienaram, insensíveis aos dramas humanos. Radicalizaram com o fundamentalismo, o legalismo e o moralismo. Inventaram dentes de ouro e sessões de descarrego. Castram as vozes do corpo. Eu tinha muitas razões para não ser evangélico.


Mas, como negar o imperativo missionário, a necessidade de conversão e de santidade. Um dia, nasci de novo. A pecaminosidade do povo que se chama evangélico apenas reforça a necessidade de conversão e de santidade. Por isso – e apesar de tudo e de todos (inclusive de mim) – sou um evangélico, graças a Deus.”


Parte do belíssimo artigo “Por que sou cristão, protestante, evangélico e Anglicano?” de Dom Robinson Cavalcanti,que eu li no Pavablog. Ele completa o artigo com suas razões para ser anglicano e eu poderia muito bem completar o texto com as razões para ser Cristão, protestante, evangélico e da Igreja de Cristo (denominação evangélica surgida no Nordeste).